quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
É A Vida
Ele segurou minha mão de uma forma tão confiante e confortável que eu tive o prazer de não interrompê-lo. Talvez eu tenha sentido um pouco de egoísmo em minha decisão, mas sinto que ele gostou. Afinal, estávamos apenas conversando sobre algo seriamente delicado. Como quando encontramos alguém cujo não víamos há um bom tempo, e ficamos com receio de perguntar como vai aquela namorada, sem saber se ainda estão juntos. Claro que um assunto não tem nada a ver com o outro, mas um é tão embaraçoso e difícil de se explicar quanto o outro. Suas mãos quentes e macias estavam agora trêmulas e suadas. Suas grandes e não tão magras mãos que poderiam cobrir até mesmo da minha orelha esquerda até meu maxilar. Bem, mas não foram apenas suas mãos que me impressionaram. Seu lindo sorriso e seus claros olhos como a água da lagoa que observei por alguns minutos em uma foto que encontrei na internet também não foram razões tão grandes por eu ter admirado aquele rapaz por mais tempo. Talvez, através de suas palavras, seu tom de voz e seu bom humor eu tenha enxergado uma boa personalidade, alguém que o tempo e as decepções que vieram junto a ele apagaram. Aquele alguém que demora um pouco para se acreditar que encontramos, sabe? Aquela pessoa honesta e bondosa que realmente quer apenas lhe fazer feliz, até porque isso é a maior procura do ser humano, o que pouca gente sabe. Sim, é bem difícil acreditar que pessoas assim ainda existam, pois há tanta maldade no mundo sendo carregada por pessoas que não fazem outra coisa a não ser nos dar as costas, e por pessoas que só querem nos ferir. Às vezes nos perguntamos "Por quê?", e a voz ecoa em nossa mente, sem resposta. Mas essa é a vida... não é mesmo? A vida é uma balança onde de um lado há coisas boas e do outro coisas ruins, e você vai provando de cada um sempre mantendo o equilíbrio, até que tudo se acaba e nada resta. Sua mente esvazia, e seu coração para. Talvez as maldades sejam para saciar aqueles que não tiveram muitas coisas boas, e para alertar os outros que coisas boas virão. De fato, pensando sobre a famosa ideia que diz que para coisas boas acontecerem é preciso que coisas ruins aconteçam primeiro, ou algo assim, percebi que talvez isso seja apenas questão de "valor". Quanto vale as coisas que você tem em sua vida? Por exemplo, algumas pessoas jogam fora um pedaço de pão por ter sido feito no dia anterior, enquanto outras saboreiam com lágrimas de emoção o mesmo tipo de pão feito há semanas. Me lembrei, então, que algumas pessoas dizem que as pessoas pobres são mais felizes, mas nunca me explicaram o porquê. Entendi, com isso, que é porque algumas apreciam com mais vontade o pouco que elas tem, e qualquer coisa maior do que aquilo é considerado um presente divino. Mas ainda estou pensando sobre isso, pois talvez eu ainda não tenha desvendado todos os mistérios que apareceram quando eu não sabia pensar muito bem. Talvez eu ainda não saiba, mas com o tempo eu aprendo. Eu espero...
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