terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
O Mendigo
No outro dia, enquanto esperava pelo ônibus em um ponto perto de
casa, olhei para trás e percebi que um mendigo caminhava em minha
direção. Como faço com todas as pessoas que se aproximam e que eu não
conheço, comecei a ficar nervosa. Ele andava lentamente, e passou por
mim de longe. Tentei imaginar o que pensava, se ele procurava a razão de
estar naquele estado, todo sujo e com garrafas pets penduradas no ombro
e dentro de um grande saco de batata, se queria descobrir o que
aconteceria se os trocados que ele arrumasse acabassem, se morreria de
fome ou se alguém, provavelmente algum preconceituoso,
atearia fogo nele. Crianças passaram ao lado dele, sem medo, e ele as
observou. Imagino que tenha sentido algo em seu coração por ver aqueles
rostos tão saudáveis e felizes. Logo depois, ele achou algo no chão e
catou, algo parecido com uma moeda. Me lembrei de quando minha mãe disse
que os mendigos geralmente gastam o dinheiro que conseguem com bebidas
em botecos, e por isso continuam mendigos pelo resto de suas vidas. Mas,
por que alguém iria querer viver assim? Por que ele não trabalha? Por
que não se esforça para comprar algo para comer e ficar pelo menos mais
saudável, ou menos desnutrido? Talvez porque ele não teve influência
suficiente em sua adolescência, e por isso não completou os estudos e
não teve um emprego onde pudesse se estabelecer. Ou talvez, ele nunca
tivesse começado a estudar... O problema das pessoas que julgam é que
elas não buscam o porquê, apenas julgam. É fácil chamar alguém de
maconheiro, traficante, bandido, prostituta, ou qualquer outra coisa que
a sociedade tenha preconceito com um olhar negativo, mas difícil achar
alguém que procure os motivos pelos quais essa pessoa vive nessas
condições. Pensar não custa nada...
Assinar:
Comentários (Atom)