quarta-feira, 8 de abril de 2015

Verme

E então você chora de tanto egoísmo e tanta besteira pinicando em seu ouvido, e você sabe que ele está doendo de tanto ouvir aquela voz que deveria ser calada, pois ela consome toda a sua energia, sua carne, sua alma. Você não aguenta mais conviver com esse peso, e já não é mais possível se conformar com tanto ódio sendo atirado em forma de chuva ácida em sua direção. Você deve fugir? Não há onde se esconder, não há outra forma. Continuar assim, sendo consumido por um verme gigante e constrangedor? Você está certo, ele está errado, mostre a ele. Vamos, faça algo. Você percebe que não consegue fazer algo porque seu corpo e sua alma estão dormentes, esse verme gigante te deixou indefeso e paralisado de tanto veneno correndo em suas veias. Você é vergonhoso e está com sérios problemas mentais, físicos e sentimentais. Você está sozinho, e ninguém pode te ajudar. Você está sozinho... Eu estou sozinha...

terça-feira, 3 de março de 2015

Meu anjo, meu pai...

Meu anjinho, aquele que me criou, me protegeu das maldades do mundo e me deu todo o amor que podia... todos os dias eu peço aos céus para que te dê toda a saúde que você me fez ter, e que te traga logo para casa, ou que te guie pelo caminho da paz do espírito para aquele mundo cujo não conhecemos muito se for necessário, mas que não sofra mais, pois meu coração se aperta só de pensar em quanto tempo já estás onde está e sei que o seu também... Meu amor por ti é o mesmo que recebi durante todos esses anos, desde quando me chamava de "minha princesinha" até agora mesmo, quando diz que sente saudades de mim... e ele nunca morrerá, apenas crescerá conforme eu me lembre das boas lembranças que tenho contigo e o quão você é e sempre será especial para mim... Te amo... muito mesmo... ♥

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O Mendigo

No outro dia, enquanto esperava pelo ônibus em um ponto perto de casa, olhei para trás e percebi que um mendigo caminhava em minha direção. Como faço com todas as pessoas que se aproximam e que eu não conheço, comecei a ficar nervosa. Ele andava lentamente, e passou por mim de longe. Tentei imaginar o que pensava, se ele procurava a razão de estar naquele estado, todo sujo e com garrafas pets penduradas no ombro e dentro de um grande saco de batata, se queria descobrir o que aconteceria se os trocados que ele arrumasse acabassem, se morreria de fome ou se alguém, provavelmente algum preconceituoso,
atearia fogo nele. Crianças passaram ao lado dele, sem medo, e ele as observou. Imagino que tenha sentido algo em seu coração por ver aqueles rostos tão saudáveis e felizes. Logo depois, ele achou algo no chão e catou, algo parecido com uma moeda. Me lembrei de quando minha mãe disse que os mendigos geralmente gastam o dinheiro que conseguem com bebidas em botecos, e por isso continuam mendigos pelo resto de suas vidas. Mas, por que alguém iria querer viver assim? Por que ele não trabalha? Por que não se esforça para comprar algo para comer e ficar pelo menos mais saudável, ou menos desnutrido? Talvez porque ele não teve influência suficiente em sua adolescência, e por isso não completou os estudos e não teve um emprego onde pudesse se estabelecer. Ou talvez, ele nunca tivesse começado a estudar... O problema das pessoas que julgam é que elas não buscam o porquê, apenas julgam. É fácil chamar alguém de maconheiro, traficante, bandido, prostituta, ou qualquer outra coisa que a sociedade tenha preconceito com um olhar negativo, mas difícil achar alguém que procure os motivos pelos quais essa pessoa vive nessas condições. Pensar não custa nada...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

   Dois jovens se encontraram em uma rua deserta, aproximadamente às 23:30, quando a menina, de longe, grita:
- Me desculpa!
   As coisas não eram assim há uma semana atrás.

                         Uma Semana Atrás

   Em um um dia calmo e ensolarado, uma jovem chamada Lucy se arruma em seu quarto meio bagunçado para ir à escola. Assim que termina, passa correndo pela cozinha e sai pela porta dos fundos. Sua mãe grita:
- Lucy, não vai tomar seu café?
- Não, mãe! - responde Lucy, cada vez mais longe - Estou atrasada!
   Sua mãe sabia que ainda faltavam muitos minutos para a aula, mas preferiu fingir que não sabia, só dessa vez.
   Encontrando sua amiga de infância Jade no ponto de ônibus, de repente ficou tímida.  Percebeu, então, que o motivo era apenas o garoto mais gatinho do segundo ano caminhando em sua direção.
- Olá, Jade. - disse o menino.
- Ah, olá Jhony. Essa é a minha amiga, Lucy. - respondeu Jade.
- P-prazer em c-conhecê-lo... - disse Lucy, gaguejando muito e com as mãos bem trêmulas.
- Oi. Bem, Jade... Qual será a sua primeira aula? - disse Jhony, ignorando um pouco a pobre Lucy.
   Jade percebeu que sua amiga não se sentiu muito bem com aquela resposta, então fez uma cara feia ao se virar para Jhony e disse:
- Qual é o seu problema? Não consegue ser gentil quando conhece alguém? Sei que não é a primeira vez que isso acontece. E me responda, estou falando com você!
   Ao perceber a expressão no rosto de Jhony e seu olhar fixo em direção à Lucy, também se surpreendeu ao olhar para trás. Não havia mais ninguém no ponto, e eles perderam o ônibus que demorava horas a passar.
   Chegando na escola, Jade ainda furiosa com Jhony, correu para falar com Lucy.
- Lucy! Está tudo bem, amiga?
- Eu estou bem, Jah... Não se preocupe. - respondeu Lucy com a cabeça baixa e os olhos cheios de lágrimas.
- Ah, Luh... Não fique assim! Ele é só um idiota que você teve o azar de se apaixonar. Não ligue para ele, você vale mais do que isso!
   Como sempre, Jade assumiu seu papel de melhor amiga e passou a manhã consolando Lucy. Porém, as duas sabiam que isso, no fundo, não era realmente necessário. Lucy era uma garota realmente forte e superou quase que facilmente a morte de seu pai, Augusto. Por que não suportaria algo bobo como gostar de um garoto? Talvez porque ele era seu primeiro amor, mas isso não parecia deixá-la menos forte.
   Após a escola, Lucy foi para casa meio atormentada. Teve um dia difícil, pois para uma garota não é tão fácil ser "meio ignorada" pelo primeiro amor e depois se concentrar na prova de Química. Apesar de estar no primeiro ano, a professora era bem rigorosa.
   Após se distanciar da escola e de alguns alunos que saíam dela na hora da saída, passando por um tipo de beco largo, Lucy foi surpreendida.
- Olá. - uma voz meio familiar e baixa surgiu do nada.
- Hã? Quem...
   Quando se virou, seus olhos se encontraram. Sim, Jhony havia seguido Lucy desde que saíram da escola.
- O-o que v-você quer?... - perguntou Lucy bem assustada.
- Calma, eu só queria pedir desculpas. Eu lhe tratei mal, e estou arrependido. - disse Jhony, forçando a voz.
- Sei... Não me parece tão arrependido... - respondeu Lucy, com um tom de ironia.
 Jhony olhou fixamente em seus olhos com uma expressão de raiva, segurou seu braço e disse:
- Olha aqui, eu só estou fazendo isso porque a Jade me pediu! Eu não ligo para o que você achou da minha resposta... Esse sou eu e ponto final! Apenas aceite as minhas desculpas e vamos acabar logo com isso.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

É A Vida

Ele segurou minha mão de uma forma tão confiante e confortável que eu tive o prazer de não interrompê-lo. Talvez eu tenha sentido um pouco de egoísmo em minha decisão, mas sinto que ele gostou. Afinal, estávamos apenas conversando sobre algo seriamente delicado. Como quando encontramos alguém cujo não víamos há um bom tempo, e ficamos com receio de perguntar como vai aquela namorada, sem saber se ainda estão juntos. Claro que um assunto não tem nada a ver com o outro, mas um é tão embaraçoso e difícil de se explicar quanto o outro. Suas mãos quentes e macias estavam agora trêmulas e suadas. Suas grandes e não tão magras mãos que poderiam cobrir até mesmo da minha orelha esquerda até meu maxilar. Bem, mas não foram apenas suas mãos que me impressionaram. Seu lindo sorriso e seus claros olhos como a água da lagoa que observei por alguns minutos em uma foto que encontrei na internet também não foram razões tão grandes por eu ter admirado aquele rapaz por mais tempo. Talvez, através de suas palavras, seu tom de voz e seu bom humor eu tenha enxergado uma boa personalidade, alguém que o tempo e as decepções que vieram junto a ele apagaram. Aquele alguém que demora um pouco para se acreditar que encontramos, sabe? Aquela pessoa honesta e bondosa que realmente quer apenas lhe fazer feliz, até porque isso é a maior procura do ser humano, o que pouca gente sabe. Sim, é bem difícil acreditar que pessoas assim ainda existam, pois há tanta maldade no mundo sendo carregada por pessoas que não fazem outra coisa a não ser nos dar as costas, e por pessoas que só querem nos ferir. Às vezes nos perguntamos "Por quê?", e a voz ecoa em nossa mente, sem resposta. Mas essa é a vida... não é mesmo? A vida é uma balança onde de um lado há coisas boas e do outro coisas ruins, e você vai provando de cada um sempre mantendo o equilíbrio, até que tudo se acaba e nada resta. Sua mente esvazia, e seu coração para. Talvez as maldades sejam para saciar aqueles que não tiveram muitas coisas boas, e para alertar os outros que coisas boas virão. De fato, pensando sobre a famosa ideia que diz que para coisas boas acontecerem é preciso que coisas ruins aconteçam primeiro, ou algo assim, percebi que talvez isso seja apenas questão de "valor". Quanto vale as coisas que você tem em sua vida? Por exemplo, algumas pessoas jogam fora um pedaço de pão por ter sido feito no dia anterior, enquanto outras saboreiam com lágrimas de emoção o mesmo tipo de pão feito há semanas. Me lembrei, então, que algumas pessoas dizem que as pessoas pobres são mais felizes, mas nunca me explicaram o porquê. Entendi, com isso, que é porque algumas apreciam com mais vontade o pouco que elas tem, e qualquer coisa maior do que aquilo é considerado um presente divino. Mas ainda estou pensando sobre isso, pois talvez eu ainda não tenha desvendado todos os mistérios que apareceram quando eu não sabia pensar muito bem. Talvez eu ainda não saiba, mas com o tempo eu aprendo. Eu espero...

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

17 Páginas, 17 Anos

Antigamente eu era pura, como um livro em branco. Hoje em dia sou escrita por 17 páginas, cada uma referente à um ano. Algumas páginas foram queimadas, outras simplesmente me faltou tinta na caneta. Algumas os ratos roeram, e outras os cupins. Não sei quando termina o capítulo e nem se haverá outro, mas vou continuar escrevendo. Só assim poderei descobrir...

terça-feira, 27 de maio de 2014

O Livro

Eu estava inspirada há poucas horas, mas perdi a vontade de escrever quando discuti com a minha mãe. Ela estava bêbada, e cuspia enquanto falava. Faz um tempo que não me inspiro como aconteceu hoje, acho que ocorrera por conta do livro muito interessante que estou lendo. Achei mais interessante ainda ao perceber que o próprio nome era uma estratégia com o objetivo de fazer o leitor associá-lo ao livro e refletir mais ainda sobre o assunto. Acho que todos os livros deveriam ser assim, e mesmo a maioria dos que eu li sendo mesmo, ainda há alguns em que não encontrei essa estratégia. Mesmo assim não me decepcionei com esses, pois mesmo um livro "pobre" pode ser aproveitado por conter boas ideias. Já reparou? Os livros nos fazem pensar se interpretarmos suas frases com bastante entusiasmo. Eu queria poder escrever um livro assim. Imagine, ele ser representado como um dos melhores livros do ano. Mas acho que o motivo maior pelo qual sonho com isso não é bem fazer sucesso, e sim passar ideias boas que melhorem a vida das pessoas. Logicamente o sucesso ajudaria na divulgação do livro e em seguida na divulgação dessas ideias, mas queria que as pessoas prestassem mais atenção no livro e no que eu quis transmitir do que na minha pessoa. Isso me faz concluir que eu não me importaria em divulgar algo em anônimo, mas me preocuparia mais em esse "algo" ser divulgado. Eu me importo muito com o valor dessas coisas que uns amigos meus julgam "coisas inúteis da humanidade inútil". Essa coisa toda de sentimentalismo e algumas outras coisas inventadas pelos seres humanos, sabe? Por isso aprecio tanto os livros. Esse livro está entre os melhores dos que eu li, pois me fez parar para pensar em tudo isso, e me tirou um pouco do caos dessa realidade que habita na minha vida. Isso foi com certeza muito relaxante. Obrigada, livro querido...