quinta-feira, 17 de maio de 2012

A luta

 Ele me olhava atentamente. Eu também o encarava, pois odiava ser chamada de fraca pelos amigos, e assim tentava dar uma de valente às vezes. E então, depois de tanto olharmos um para o outro tão atentamente, começamos. Eu o apertava com cada mão em um lado de seu corpo meio chato e gelado, e ele apenas estalava. Seu sofrimento era notável, mas o que posso fazer se minha satisfação era impaciente. Ele era resistente, mas eu também. Não tive dó nem piedade: taquei-lhe água fria. De branco ficou transparente. Depois disso foi mamão com açúcar. Foi só entortar um pouquinho de cada lado que ele rapidinho soltou da forminha. Só pensei uma coisa: “Ah, esses gelos de hoje em dia...”. Dei gargalhadas de mim mesma naquela noite até a hora de ir dormir. As gargalhadas foram tão altas que cheguei a interromper o filme que meu pai estava vendo. Aquele momento parecia uma cena. Meu pai, sério, olhou para mim com uma cara bem estranha. Não sei o que ele quis dizer, ele não é de falar muito, mas tenho certeza que assim como eu deu gargalhadas por dentro.

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