sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A Menina De Pano

"Chore, criança. Derrame em seu travesseiro velho e meio empoeirado suas delicadas e doces lágrimas de mel.", sussurrava suavemente uma voz grave e aparentemente desconhecida nos pensamentos da menina. "Será que, na época em que fizera esta música, Beethoven sabia que Moonlight seria tão importante para mim? Imagine.. Será que fizera especialmente para mim?.. ", pensava. A voz se misturava com seu pensamentos, formando um mundo de ideias, perguntas, respostas, etc. Será a voz de um anjo aquela que lhe acalma e lhe dá paz ou será apenas um delírio de uma adolescente em crise?.. Não se sabe. Por enquanto, sabe-se apenas que essa tal voz é, logicamente, do bem. Disso é difícil duvidar, pois seu humor, seus gestos, sua aparência, e até mesmo seu jeito de escrever mudam conforme surgem relatos de que ela tem ouvido a tal voz. "Será que mais pessoas as ouvem? Será que eu fui escolhida para algo, como nesses filmes que passam na televisão às vezes? Será que meus amigos e minha família também ouvem essas vozes?", e os pensamentos não param.. Em um certo dia de outono, a menina decidiu dar umas voltas em seu bairro para respirar ar puro e pensar um pouco. Em sua casa não havia muita harmonia, nem entre as pessoas que lá viviam e nem entre os animais que de vez em quando apareciam. Era um quintal largo que havia nos fundos, por isso todos os tipos de passarinhos faziam a festa de dia e os morcegos de noite. Parecia mesmo uma floresta, de tanta planta que havia. Quando pequena, a menina gostava de brincar de "Faz de Conta", fingindo que todas as plantas eram mágicas e falavam, que os passarinhos eram imensas aves como aquelas que via em filmes de ficção científica onde era possível voar através das nuvens montado em uma, imaginava que aquele cimento ou concreto do chão era terra fresca e úmida das chuvas de gotas de água clara e limpa que um dia escorreram por um rio que havia bem perto dali, águas tão puras que chegavam a ser própria para consumo. Imaginava tanto que até perdia o fôlego, mas nunca a criatividade. E como tinha criatividade.

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